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Eu chamo-me Alexandrina Maria da Costa, nasci na freguesia de Balasar, concelho da Póvoa de Varzim, distrito do Porto, a 30 de março de 1905*, numa quarta-feira de trevas e fui batizada a 2 de abril do mesmo ano, era então sábado de aleluia. Serviram de padrinhos um tio de nome Joaquim da Costa e uma senhora de Gondifelos – Famalicão – de nome Alexandrina. (Autobiografia – Obras Completas de Alexandrina Maria da Costa)

UM SONHO

Uma noite ia da cozinha para a sala com uma candeia acesa e ela apagou-se; tratei de a acender voltando à cozinha, mas ela apagou-se por várias vezes tendo de andar abaixo e acima. Não me recordo que fosse vento, que a pudesse apagar. Da última vez em que tentei acendê-la, caí, entornei o petróleo que me saltou para a boca. Julgando que era o mafarrico disse: podes ir embora que hoje não arranjas nada. Fui deitar-me muito sossegada, adormeci e tive um sonho que se gravou na minha alma para nunca mais me esquecer. Foi assim: subi ao Paraíso por umas escadinhas tão estreitinhas que mal me cabiam as pontas dos pés. Foi com muita dificuldade e com muito tempo que lá cheguei, porque não tinha nada onde me amarrar. Pelo caminho via algumas almas que ficavam ao lado das escadas, dando-me conforto sem me falarem. Lá em cima vi ao centro num trono Nosso Senhor e ao lado d’Ele a Mãezinha; todo o céu estava cheio de bem-aventurados. Depois de contemplar tudo isto tive que vir à terra o que eu não queria. Desci com muita facilidade e encontrei-me na terra e tudo tinha desaparecido. Depois acordei. (Autobiografia – Obras Completas de Alexandrina Maria da Costa)

 

* A data de nascimento da Beata Alexandrina é de 1904, mas no seu texto original, encontra-se a data de 1905, ao qual nos mantivemos fiéis aos seus manuscritos na edição da sua Autobiografia.

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